noroeste da argentina e sudoeste da bolívia de 4×4: parte 1

Foram 26 dias e aproximadamente 10.150Km com o Jacaré, nossa Pajero Full 4 portas, diesel, 2004.

Este é o primeiro de uma série de posts. Traremos informações que julgamos relevantes para novos aventureiros – e, sim, famílias! Fotos. Relatos. Dados como preço do combustível. Quais cidades, estradas e vilas sugerimos visitar. Quais mapas sugerimos comprar. Quais equipamentos para levar. Que roupas. E assim por diante.

Mais do que um relato voltado a nós, que viajamos, esta será uma série para incentivar novos viajantes e famílias. Para auxiliar com informações. Tudo isso sabendo, claro, de nossas limitações.

Saímos de brasília-df no dia 28 de março de 2015. Valter (63), Carol (29) e eu (38), além, claro, do Jacaré (11).

valter, carol e eu
valter, carol, eu – e o jacaré ao fundo

Carol não tinha qualquer experiência com esse tipo de viagem. Valter já rodou a américa latina inteira de carona, de ônibus, com sua antiga brasília e, mais recentemente, com seu Land Rover Defender 110. Eu sempre gostei de viajar. Porém detesto fazer turismo. Leia-se, ir pra Disney, Nova Iorque, Beto Carrero World, Águas Lindas e afins. Prefiro lugares onde há pessoas. Pessoas para compartilhar. Para trocar. Para aprender. Para vivenciar. Para sair de nossas bolhas. Para ver o mundo real. Tendo a preferir Jalapão-TO (vídeo de nossa viagem), Chapada Diamantina, vilarejos na beira da estrada, Ilha do Bananal, Xingu, periferia. E amo estrada. Eu costumava viajar sozinho para lugares como Irã, Síria, Turquia, Líbano. Estive no Irã durante as eleições presidenciais de 2009. Participei das manifestações. Fotografei e documentei aqui no ViaFoCo (em inglês). Gosto de conhecer culturas, comidas, religiões e pessoas. Gosto de aprender com gente simples.

Como de costume, fizemos muitos estudos antes de sair. Valter e eu somos aficionados por mapas. Devoramos vários.

mapa NOA argentina com relevo montanhoso
mapa NOA argentina com relevo montanhoso

Estes ao lado foram sem dúvida os melhores. Compramos num posto de gasolina na ARG. Tem por toda parte. Gostei muito porque possuem mais detalhes. Como são divididos em duas partes, Noroeste da Argentina (NOA) Norte e Noroeste da Argentina (NOA) Sul, a escala era maior e, portanto, os detalhes também. Mas o que mais me satisfez foi o fato de o mapa misturar estradas com relevo montanhoso. Isso é essencial, principalmente na região NOA, onde é possível ir de um ponto a outro pelo plano, ou atravessando uma enorme cadeia montanhosa. É essencial saber se estamos subindo, descendo, cruzando ou percorrendo ao redor de uma grande cadeia montanhosa que pode estar 1.000m a 2.000m mais alta do que a estrada onde estamos transitando. Saber isso faz uma diferença enorme. Porque o tempo de viagem é outro. As dificuldades, também. E, claro, as lindas paisagens.

Antes, tínhamos comprado estes outros (vermelhos). São bons também. Mas pecaram, no meu ver, por não possuírem qualquer indicação de relevo – o que, nesta região montanhosa, é essencial.

Jpeg
mapas sem relevo montanhoso

Escolhemos fazer uma rota não muito usual. Decidimos conhecer o extremo oeste do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, antes de entrar na argentina. Foz do Iguaçu não estava nos planos – mas Carol quis porque quis ir; então demos uma boa desviada, visitamos e voltamos pra rota original, pra contornar a “perninha” da argentina por fora, seguindo pelo extremo oeste da Terra Brasilis.

No primeiro dia descemos de brasília-df para martinópolis-SP. Foram uns 1.000Km. Nada extraordinário.

No segundo dia rodamos mais 1.000Km, de martinópolis-SP, para lindoeste-PR.

névoa ao amanhecer (lindoeste-PR)
névoa ao amanhecer (lindoeste-PR)

No terceiro dia, fomos de lindoeste-PR, para Dos de Mayo, na argentina. Rodamos apenas 300Km. Foi lindo, lindo, lindo!!

Casinhas de madeira, estilo antigo, com influência da imigração europeia. Muitos morros. Uma névoa lindíssima ao amanhecer (foto ao lado). Em praticamente todas as casinhas, famílias sentadas na varanda tomando chimarrão. Compramos nossa cuia e entramos no ritmo local. Delícia aquele amarginho! Fizemos a travessia do brasil para a argentina de balsa, cruzando um rio, pela fronteira chamada El Soberbio (Porto Soberbo é como é chamada no brasil). Foi bem pitoresto. Compramos pesos argetinos do oficial do posto de imigração brasileiro.

extremo oeste do brasil
extremo oeste do brasil
balsa entrando na ARG - Paso El Soberbio
balsa entrando na ARG – Paso El Soberbio

No quarto dia, saímos de Dos de Mayo e seguimos até Las Breñas. Foram 750Km pelos “chacos” argentinos. A província de Resistência é horrível. Feia. Passamos pelos Rios Paraná e Uruguai.

No quinto dia, saímos de Las Breñas e acabamos chegando, aproximadamente 1,5h antes do pôr-do-sol, num lugar, este sim, incrivelmente soberbo!!! Um lugarejo no topo da montanha, chamado Portezuelo. Rodamos 600Km neste dia.

Subimos de 300m de altitude para 2.000m em aproximadamente 2h. Antes de iniciarmos a subida, paramos no posto de combustível YPF Fernandez. Havia muitos motoqueiros e filas de carro para abastecer. Era véspera de feriado. Compramos os mapas vermelhos da foto acima e encontramos um brasileiro, bahiano, radicado na argentina havia mais de 10 anos. Falava português (baianês) com sotaque dos hermanos. Uma figura!! Muitos postos de combustível na argentina possuem máquinas de água quente, pra abastecermos as cuias pra fazer chimarrão / mate.

máquina de água quente p/ mate
máquina de água quente p/ mate

Rodamos por montanhas e pastagens montanhosas, com vacas, cabras e coelhos selvagens, por estradinhas de terra, num lugar bem pitoresco e ermo. Avistamos a Hostería de montaña Polo Giménez – Cuesta del Portezuelo, do dono Maxi, um cara bem bacana. Valter e Carol queriam continuar, porque logo abaixo da montanha, aos nossos pés, se encontrava Catamarca, que seria, de fato, o marco inicial da viagem – no extremo sul do noroeste da argentina (NOA).

a caminho da hostería Polo Giménez
a caminho da hostería Polo Giménez
a caminho da hostería Polo Giménez
a caminho da hostería Polo Giménez
a caminho da hostería Polo Giménez
a caminho da hostería Polo Giménez
carol, eu e valter
carol, eu e valter

Insisti para pararmos o Jacaré e darmos uma espiada.

Ficamos deslumbrados. Que vista incrível!

Aos nossos pés ficava Catamarca. Entre nós e ela, a famosa Cuesta de El Portezuelo. Uma estradinha de asfalto, super sinuosa, com curvas em “U” e já uns cactus na paisagem. Mas esta parte fica pro próximo post.

hostería Polo Giménez
hostería Polo Giménez
valter e os dogs da hostería
valter e os dogs da hostería
dog na hostería e vista incrível
dog na hostería e vista incrível
côndor
côndor
Catamarca abaixo e o Sierro de Ambato c/ 4.552m de altitude à nossa frente
Catamarca abaixo e o Sierro de Ambato c/ 4.552m de altitude à nossa frente

Descemos do carro e quando nos deparamos com a vista, Catamarca estava lá embaixo, e uma cadeia montanhosa gigantesca do outro lado, à nossa frente. Ficamos deslumbrados. Um côndor sobrevoou o terraço da hostería. Magestoso. Enorme. Resolvemos nos hospedar lá. Foi um luxo, se comparado com os hoteizinhos de beira de estrada – muito simples e aconchegantes – nos quais vínhamos nos hospedando no brasil.

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